Nossa Senhora do Monte

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Sendo a Nossa Senhora do Monte a padroeira da cidade do Funchal, esta festa é o arraial de maior impacto religioso na Ilha da Madeira. Atrai romeiros, devotos e público em geral. Tem uma componente religiosa de muita importância, e conjuga esse facto com uma oferta muito grande em termos de cultura popular e de lazer. É ainda possível assistir, neste arraial, a “despiques” e a “brinquinhos”, à moda madeirense.

 

 

 

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A Romaria de Nossa Senhora do Monte data dos primórdios da colonização da ilha, e é, sem dúvida, o maior e mais concorrido arraial cristão da Madeira.
A festa começa no dia 14 de Agosto. Na noite, desse dia, reina a animação, é a grande noite de folia. Milhares de pessoas espalham-se pelo centro da freguesia, onde nada falta, desde as tradicionais “espetadas” de carne de vaca, às bebidas regionais da ilha apropriadas a um arraial como este. Ao longo de toda noite cantam e bailam, tanto os ritmos mais modernos como os mais tradicionais.
No dia seguinte, 15 de Agosto, é o dia Santo de Guarda. Após a missa, grande número de fiéis acompanham a procissão, que percorre parte da freguesia.
São em grande número os que vão na procissão para pagar as suas promessas. Por vezes fazem-se acompanhar de grandes círios ou partes do corpo, feitas em cera, para, assim, provarem as graças recebidas.
É assim que acontece todos os anos.
A festa do Monte é, sempre, aguardada, por todos, com grande ansiedade. Muitas vezes é, esta, a ocasião para encontrar amigos e parentes embarcados há muito.
Matam-se as saudades, revêem-se caras e bebe-se um copo, é a perfeita harmonia entre o sagrado e o profano.
O culto a Nossa Senhora do Monte vem de tempos imemoriais.
Quando Adão Gonçalves Ferreira mandou construir a primitiva Ermida de Nossa Senhora da Incarnação, em 1470, nasceu, ali, o culto mariano em honra e louvor àquela que, noventa e cinco anos depois teria o título de Nossa Senhora do Monte.
À Virgem Miraculosa é atribuída a lendária cena da aparição e obtidos outros favores celestiais solicitados, à Virgem, em ocasiões aflitivas da população madeirense. Esse mesmo culto foi-se, a pouco e pouco, expandido e generalizado por toda ilha, passando, depois, a muitos outros recantos do mundo, onde se encontram imigrantes madeirenses. Esse culto religioso acentuou-se, ainda mais, quando, em 1950, foi instituída a «Confraria dos Escravos de Nossa Senhora do Monte».

São várias as lendas de Nossa Senhora do Monte que passaram, de geração em geração, desde os primórdios do povoamento até aos nossos dias.

Aparição de Nossa Senhora a uma humilde pastorinha
Não existem documentos que fixem a data exacta da lendária e miraculosa aparição da Virgem a uma humilde pastorinha no local, também lendário, do Terreiro da Luta.
Diz-se que essa lendária aparição poderia ter sucedido entre Outubro de 1477 e Outubro de 1945.
Existem várias versões sobre a lenda de Nossa Senhora do Monte. O certo é que, no tempo da Aparição, já existia, no Monte, a ermida de Nossa Senhora da Incarnação, mandada construir por Adão Gonçalves Ferreira em 1470.

A lenda dos Hugunotes ou Calvinistas franceses

Em Outubro de 1566, estando ausente em Lisboa, o 5º Capitão-Donatário do Funchal, Simão Gonçalves da Câmara, aportaram à Madeira, em onze navios, cerca de mil e duzentos homens, corsários franceses da religião de Calvino que invadiram, saquearam e roubaram a nossa ilha.
A Igreja de Nossa Senhora do Monte também sofreu os danos cometidos por essa terrível pirataria.
Segundo refere Gaspar Frutuoso em «Saudades da Terra» – “Os hereges franceses, nas suas fúrias de destruição foram à Igreja de Nª Senhora do Monte, e um deles pegando na imagem da Virgem despiu-a, atirando-a, pelos degraus de pedra, para a despedaçar. Porém, os degraus fizeram-se em pedaços e a imagem ficou intacta.
Arremessando com fúria a Imagem aos degraus, pela terceira vez, uma lasca de pedra viva saltou, penetrando no coração do herege que ali morreu instantaneamente”.

Lenda da Ribeira das Cales
A Ribeira das Cales localizada a meio caminho para o Poiso e a uma altitude de 1980 metros, pertence, ainda, à área territorial da freguesia de Nossa Senhora do Monte.
A água que corria nesta ribeira, em volume caudaloso, era aproveitada para rega dos campos ressequidos e, até mesmo, para uso domiciliário e doméstico. Esta água era, assim, desviada, em parte, por levadas que vinham de grandes distâncias até chegar ao destino desejado pelo captor.
Refere a lenda que, inexplicavelmente e de súbito, a água daquela ribeira e da nascente, que a abastecia, secou.
A população do Monte juntou-se e levou, em romagem, a milagrosa imagem da Senhora do Monte, até à nascente da ribeira, onde água se sumira, e eis que o milagre se operou: a água apareceu de novo, em volume caudaloso, que as gentes canalizaram em «cales» até às levadas, voltando o vigor e a frescura às culturas hortícolas das fazendas do Monte. Desde então ficou designada por «Ribeira das Cales».

Fonte: http://www.cm-funchal.pt

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Freguesia do Monte

Apesar do nome que a caracteriza, esta freguesia não se situa no cume de um monte mas sim numa encosta das elevadas montanhas que circundam a Cidade do Funchal.
A povoação que aos poucos foi se instalando no Funchal gradualmente foi estendendo-se pelas lombas e outeiros, os casais foram, lentamente, avançando e se instalando pela serra acima.
A origem desta paróquia vem da fazenda povoada que ali tinha Adão Gonçalves Ferreira, filho de Gonçalo Aires Ferreira, o mais distinto companheiro de Zarco na descoberta do Arquipélago. Adão Ferreira em 1470 mandou erguer uma modesta ermida, Nossa Senhora da Encarnação. A capela sofreu várias remodelações ao longo dos tempos e devido ás condições orográficas do local ou pela milagrosa aparição da Santíssima Virgem, logo passou a ser chamada nossa Senhora do Monte, primeiramente à capela, depois ao sítio e por fim a toda a freguesia.
A capela teve o seu capelão privativo em 1565 e ali se instalou a sede da paróquia.
Esta freguesia é distinta das demais, sendo considerada a “Sintra Madeirense” não somente pela sua vegetação, surpreendentes panoramas, pitorescos lugares, mas também pela frescura e pureza do local bem como da água. Sendo esta rica e formosa nos seus belos passeios, magníficos hotéis e numerosas quintas, que torna o Monte a estância escolhida por muitos, por diversas razões sejam estas religiosas, culturais, históricas ou simplesmente lúdicas

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Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Monte
No cimo do Parque Leite Monteiro deparamo-nos com um magnífico monumento religioso, a igreja de Nossa Senhora do Monte, que deslumbra qualquer visitante pelo seu magnífico belvedere sobre a cidade Funchalense, fazendo lembrar, com as devidas diferenças, a igreja do Sagrado Coração (Sacre Coeur) em Paris.

A Igreja paroquial do Monte é um edifício de características arquitectónicas típicas da região, de fins do séc. XVIII. Da mesma forma, apresenta elementos arquitectónicos barrocos, como a planta longitudinal composta por nave única com duas capelas colaterais e capela-mor, a fachada flanqueada por torres sineiras e entrada, com 3 arcos de volta perfeita.
A primitiva ermida do Monte, foi mandada edificar em 1470, neste local por Adão Ferreira, o primeiro homem nascido na ilha da Madeira.
Com a importância crescente, que a freguesia foi ganhando ao longo dos anos seguintes, a pequena capela mostra-se insuficiente para o número de fieis e obsoleta para a época, até que a 10 de Julho de 1741, foi lançada a primeira pedra para a construção de um novo templo, a mando do Conselho da Fazenda.
A construção da nova igreja, sofreu vários contratempos, sendo o maior dos reveses, o terramoto de 1 de Abril de 1748, que assolou a cidade do Funchal tendo destruído parcialmente esta matriz.
Este acontecimento gerou uma onda de solidariedade pela ilha, ao ponto de se fundar em todas as freguesias da ilha, confrarias denominadas por “dos escravos de Nossa Senhora do Monte”, com o objectivo de angariar fundos para a reconstrução da igreja.
No seu interior destaca-se uma importante colecção de altares revestidos por talha dourada e sumptuosas pinturas do séc. XVIII representando a vida da Virgem em vida terrena. No altar-mor, pode-se observar um nicho prateado com a primitiva imagem da Nossa Senhora do Monte que continua a ser venerada em alturas de adversidades.
A 21 de Julho de 1804, o Papa Pio VII, decretou a Nossa Senhora do Monte, padroeira da Ilha da Madeira, consagrando esta pela grande devoção dos fiéis de Ilha. Ainda hoje é assim reconhecida, realizando-se nesta freguesia a maior festa de devoção a esta, a 15 de Agosto.
A 5 de Abril de 1922, foi depositado na capela funerária lateral, o corpo do imperador Carlos de Habsburgo, último imperador da Áustria, falecido no Monte, a 1 de Abril do mesmo ano. No dia 3 de Outubro de 2004,a figura deste imperador foi beatificada, pelo Papa João Paulo II, em Roma.

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Capela da Nossa Senhora do Ar ou da Paz
A pouca distância encontra – se o maior monumento da Madeira, com 5,5 metros de altura e 20 toneladas, a estátua de mármore branco de Nossa Senhora da Paz, invocada numa peregrinação a 27 de Julho de 1917 para implorar à Santa Padroeira a Paz, no mais aceso da Primeira Grande Guerra de 1914-18. Nessa época o Funchal foi bombardeado por submarinos alemães, havendo na ilha fome, luto e deslocações.
O monumento é neo-romântico assentando num pedestal com quatro colunas romanas e na base um baixo-relevo em bronze retratando a aparição da Virgem aos pastorinhos na Fonte da Telha. A base é envolta por um terço do rosário composto por correntes de navios torpedeados no porto do Funchal e pedras da ribeira de Santo António.
Juntamente com este monumento, foi mandado construir a Capelinha da Nossa Senhora do Ar ou da Paz, padroeira da Aviação Portuguesa, pelo Padre José Marques Jardim, antigo pároco do Monte. No seu interior existe um quadro emoldurado da Senhora, feito com pequenos pedaços de hélices, partidas em desastres da aviação portuguesa.

Fonte: Giro pelo Património Histórico do Monte / Archais